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DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS LINGÜÍSTICOS  - DIALETO CAIPIRA

 

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PRECONCEITO LINGÜÍSTICO E ENSINO

Por Júlia Lourenço (DL-UFSCAR)

 

Neste texto, apoiados em alguns artigos publicados em revistas brasileiras de divulgação científica, retomamos uma questão que, embora bastante importante, anda um pouco esquecida na nossa sociedade. Trata-se de tentar compreender de uma forma um pouco mais acurada como os especialistas que refletem sobre as relações entre linguagem e sociedade compreendem as implicações do preconceito lingüístico para o ensino de língua. Assim como qualquer outro elemento da humanidade, a linguagem também se modifica através dos tempos, sendo denominada um organismo vivo dentro da sociedade ela sofre as mais diversas transformações a partir do seu uso pelos falantes e o conseqüente contato entre eles.

            Desde o nascimento, o indivíduo possui formas internalizadas da linguagem, e assim, escutando outras pessoas conversarem, consegue, com o tempo, aprender a se comunicar através da fala. Quando esse sujeito é inserido no ambiente escolar, inicia-se o processo de aprendizagem da língua padrão, ensinada através das Gramáticas Tradicionais, a qual muitas vezes é divergente da língua natural apreendida até então. Esse aluno ingressante, que já possuía sua “própria língua”, na escola descobre que tudo o que aprendeu é considerado errado e dessa forma, sua personalidade se perde abrindo espaço para o preconceito em relação a outros modos de se falar.

            Nesse processo, a língua padrão passa a ser considerada a forma “correta” de se expressar, em detrimento de outras formas, que por sua vez, passam a ser consideradas “feias”. Em conjunto com essas situações reais, pode surgir o preconceito lingüístico, que de acordo com o lingüista brasileiro Marcos Bagno, “é a atitude que consiste em discriminar uma pessoa devido ao seu modo de falar”.

            Sabemos que o ingresso na escola, infelizmente, não é democrático; existem muitas crianças que ficam à margem desta inserção e que depois, possivelmente, sofrerão algum tipo de preconceito lingüístico por parte dos privilegiados que a frequentaram.

            Segundo o sociólogo Nelson Viana “a linguagem é um fenômeno social e está ligada ao processo de dominação, tal como o sistema escolar, que é a fonte da dominação lingüística”. A linguagem então está intrinsecamente ligada ao social, à dominação de classes, à manutenção do poder nas mãos da classe dominante (aquela que teve acesso à cultura, é óbvio). O indivíduo que frequentou uma escola, quando for à procura de um emprego, possivelmente, conseguirá um cargo melhor que aquele que não teve esse privilégio, isso ocorre porque a sociedade reforça o comportamento da escola, aceitando somente aquele que se utiliza do português padrão.

Marcos Bagno, afirma que o “preconceito lingüístico é somente uma denominação ‘bonita’ para um profundo preconceito ‘social’: não é a maneira de falar que sofre preconceito, mas a identidade social e individual do falante”. Essa afirmação reforça o caráter social da linguagem e  a exclusão social que ocorre por meio dela, aquele que não teve acesso, dificilmente ascenderá socialmente, ou seja, permanecerá excluído ao acesso à cultura e à sociedade de maneira geral.

O papel das instituições escolares deveria ser o de ensinar o aluno que existe uma norma padrão, mas que também existem suas variações e que todos nós devemos identificar as situações nas quais utilizaremos uma em detrimento da outra, o aluno deve saber que não existe certo e errado, apenas siituações de uso, para que o aluno não ache que o dialeto caipira, por exemplo é errado, ou que o jeito como seus pais se comunicam em casa (provavelmente informalmente) também é errado. O aluno como indivíduo inserido na sociedade deve sabe refletir, não só sobre o uso da língua, mas sobre todas as questões que afetam a relação entre os seres humanos de maneira geral.

O objetivo principal da linguagem é a comunicacão, o aluno deve saber disso. Segundo Marcuschi “o principal não parece apenas dizer as coisas adequadamente, como se os sentidos estivessem prontos em algum lugar cabendo aos falantes identificá-los.(...) [a escola] deveria fazer o aluno exercitar o espírito crítico e a capacidade de raciocínio desenvolvendo sua habilidade de interagir criticamente com o meio e os indivíduos”. Até o próximo encontro. 

 
     

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