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AS GRANDES TEORIAS DA LINGÜÍSTICA: DA GRAMÁTICA COMPARADA À PRAGMÁTICA

 Por Marília V. Magri (PPGL-UFSCar)

O livro “As grandes teorias da Lingüística: da gramática comparada à pragmática”, de autoria de Marie-Anne Paveau & Georges-Élia Sarfati, traduzido pela Editora Claraluz no ano de 2006, é leitura indispensável para estudantes, professores e pesquisadores da área da linguagem. A obra apresenta, de forma clara e didática, uma visão global dos principais momentos da constituição da Lingüística, do século XIX às pesquisas atuais no campo das ciências da linguagem.

            A obra objetiva dar uma visão ampla das grandes teorias lingüísticas, conferindo a Saussure e ao CLG a iniciativa fundadora da área e demonstrando os diálogos entre diversos saberes que contribuíram para o surgimento da Lingüística enquanto ciência. A sucessão dos capítulos do livro objetiva, assim, retraçar os principais percursos do pensamento lingüístico, abordando de forma clara e objetiva o conjunto de abordagens teóricas e metodológicas que constituem o vasto campo da Lingüística.

            O livro apresenta as principais contribuições para o estudo da linguagem por meio da retomada das grandes teorias do campo, dividindo-se em 11 capítulos que abordam desde a gramática comparada do século XIX até as pesquisas pós-estruturalistas, apresentando as contribuições das lingüísticas discursivas e pragmáticas para o atual estado da arte das ciências da linguagem.

            Nos capítulos iniciais (I, II e III) os autores focam as pesquisas pré-saussurianas do campo da linguagem, apresentando o modelo historicista da gramática comparada do século XIX e suas principais visadas metodológicas. Tomam-se ainda as críticas dos neogramáticos ao modelo então vigente e as principais contribuições dessa nova orientação teórica, possibilitando ao leitor uma revisitação às origens do pensamento sistematizado no campo da linguagem. A obra aborda ainda a recepção francesa da gramática comparada, apresentando uma singularidade de reflexões fundamentais à constituição da Lingüística.

            No quarto capítulo é abordada a contribuição de Saussure para a teorização da lingüística moderna a partir da dimensão da ruptura teórica produzida pelo CLG. A obra apresenta as principais contribuições teórico-metodológicas do autor, focalizando suas concepções de língua, lingüística, signo lingüístico e suas implicações para o estudo da linguagem. Aborda ainda as dicotomias saussureanas da língua e fala, sincronia e diacronia e relações sintagmáticas e associativas, a partir das quais desenvolveu-se intensa discussão no interior dos estudos da linguagem. Neste capítulo é também abordada a noção de sistema e sua implicação em se pensar a língua não mais como função, mas como funcionamento. De modo geral, os autores sintetizam de forma clara as principais contribuições de Saussure para a fundação de uma ciência da língua, possibilitando ao leitor uma visada completa pela obra fundadora da lingüística moderna.

            No capítulo seguinte os autores apresentam a recepção da obra saussuriana por três modelos teóricos estruturalistas: a estilística de Bally, a psicomecânica da linguagem de Guillaume e a sintaxe estrutural de Tesnière, que analisam o CLG numa perspectiva de posteridade.

            Nos capítulos seguintes (VI, VII e VIII) são abordadas as implicações da interpretação estrutural-funcionalista do CLG, especificando-se as linhas de leitura funcionalista da obra saussuriana, apresentando sobretudo as contribuições teóricas de Martinet, Halliday e Jakobson. Expõem-se ainda as principais opções teóricas da interpretação formalista, propondo um percurso teórico do descritivismo ao gerativismo, momento em que focalizam-se as contribuições de Bloomfiled, Harris, Pike, Gross e Chomsky para o campo da linguagem.

            Os capítulos posteriores (IX, X e XII) apresentam os modelos da Linguística pós-estruturalista, focando sobretudo a teoria da enunciação, as linguísticas discursivas e as teorias pragmáticas. Num primeiro momento, apresenta-se a problemática dos mecanismos de discursivização e subjetividade, sobretudo num percurso teórico das obras de Benveniste, Ducrot e Culioli. Passa-se então a pensar, dentro do mirante das lingüísticas discursivas, três importantes linhas de pesquisa dentro do campo da linguagem: a lingüística textual (sobretudo com as contribuições de Adam), a análise do discurso (focalizando-se a visão maingueneauniana) e a semântica de textos de Rastier. Por fim, a obra aborda a perspectiva pragmática no campo da linguagem sob vários pontos de vista, de sua origem filosófica a generalização de suas abordagens no campo de uma semiótica compreensiva.

            A obra em questão aborda um percurso secular do pensamento lingüístico e suas principais implicações de modo claro e didático, mas seria necessário recorrer a outras bibliografias para se ter uma visão mais pormenorizada e individualizada das teorias fundantes do pensamento lingüístico atual.  De qualquer forma, “As grandes teorias da Lingüística” é uma obra ousada, que em 271 páginas permite uma revisitação global às bases teórico-metodológicas da ciência da linguagem.

Marie-Anne Paveu pesquisa atualmente o estudo do senso comum em discursos instituicionais, Atua como professora de Lingüística Francesa da Universidade de Amiens, tendo publicado trabalhos em lexicologia e análise do discurso. É doutora em Letras Modernas e membro do Centro de Estudo dos Discursos, Imagens, Textos Escritos e Comunicações (CÉDITEC).

            Georges-Élia Sarfati é autor de várias obras, analisando sobretudo a teoria e análise das relações entre discurso, texto e doxa. Doutor em Lingüística, é professor da Universidade de Clermont-Ferrand e membro do laboratório Dyalang, no Centre National de La Recherche Scientifique (CRNS, Paris).

“As grandes teorias da Lingüística” é obra indispensável a estudantes em formação, professores e pesquisadores da área, sobretudo por apresentar os principais momentos da constituição da Lingüística numa visada histórica e epistemológica. As informações são organizadas de forma didática, num texto claro e inequívoco, fazendo fluir uma leitura proveitosa e agradável. 

 
     

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