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Bibliotecas: uma reflexão história
acerca da constituição dessas instituições
Gustavo Grandini Bastos
1.
Introdução
Pretendemos nessa pesquisa, realizar um estudo
histórico acerca da instituição biblioteca,
observando a forma como ela vem constituindo-se
historicamente, assim, esse estudo é relevante, pois
permite observar como ela tem se instituído e
transformado, e melhor refletir acerca dos motivos
da circulação de determinados sentidos frente a
tantos outros possíveis de serem enunciados.
A palavra biblioteca tem sua origem da palavra grega
bibliotheke, resultado da junção de
duas palavras do idioma grego, são elas biblio
e tëke, que significam respectivamente,
livro e depósito (SANTOS, 2010), por isso era
entendida como o depósito responsável pela guarda de
materiais escritos, papiros e pergaminhos (SCHWARCZ,
2002). Atualmente essa idéia é pequena e pouco
precisa, já que os sentidos de biblioteca, seja na
literatura científica da área ou nas necessidades
dos sujeitos-leitores, são muito mais amplos.
A Antiguidade nos apresenta uma biblioteca marcada
pelos sentidos de restrição, onde poucos possuíam a
possibilidade de adentrar e fazer uso de seus
acervos. Até mesmo a espessura arquitetônica dos
prédios, que abrigavam as bibliotecas, era projetada
para impedir que as obras circulassem, ficando
restritas dentro daquele espaço (SANTOS, 2010). A
grande maioria das entradas das bibliotecas possuía
guardas para impedir a circulação e roubo das obras;
marcamos que isso continuou e intensificou-se no
período que corresponde à Idade Média, já que, nas
bibliotecas, existiam portas que não levavam a lugar
algum, corredores sem saída, entradas e saídas
falsas, que eram aleivosas, enfim, tínhamos um real
labirinto (MANGUEL; GUADALUPE, 2003) no qual poucos
entravam e saíam impunes. Um ponto interessante
dessas instituições é que elas possuíam uma
variedade tipológica de suportes de diferentes
épocas do período Antigo; a título de
exemplificação, tivemos bibliotecas formadas por
suportes minerais e vegetais como as placas de
argila e o papiro (MARTINS, 2002), sendo que
nenhuma, apesar da grandiosidade, foi preservada
chegando em boas condições até a atualidade,
decorrente da ação do tempo e, principalmente, do
homem com guerras ou intervenções diversas (SOUZA,
2005).
Dentro da literatura da Ciência da Informação, a
biblioteca mais famosa da Antiguidade é a da cidade
egípcia de Alexandria, célebre até os dias de hoje
por sua grandiosidade. Foi fundada no ano de 280
a.C, durante o reinado de Ptolomeu I Soter, membro
da dinastia Ptolomaica (também chamada Lágida), que
teria sido persuadido a construir a biblioteca
graças à insistência do filósofo Demétrio de Falera,
que incentivou Ptolomeu I a transformar a cidade de
Alexandria em um pólo cultural capaz de fazer frente
a Atenas, na Grécia, a grande capital cultural e
intelectual da época (RIÃNO ALONSO, 2005; SANTOS,
2010).
Alexandria não é o
protótipo dessas catedrais do saber que são nossas
salas de leitura. É uma biblioteca de Estado, mas
sem público, cuja finalidade não é a difusão
filantrópica e educativa do saber na sociedade, e
sim a acumulação de todos os escritos da Terra, no
centro do palácio real que, por ele mesmo, constitui
um bairro da cidade (BARATIN; JACOB, 2000, p. 45).
Estudos indicam a ocorrência de uma divisão da
Biblioteca de Alexandria em duas partes: a maior,
que havia sido construída no século III a.C., dentro
do Templo Mouseion (Templo das Musas); e a menor,
criada no século IV a.C. dentro do Templo de Serápis
(Deus protetor da cidade de Alexandria), ambas no
Bruquíon, uma região de Alexandria, onde inclusive
localizavam-se palácios reais. Dessa forma, não
existia um único local abrigando o acervo dessa
biblioteca, mas sim dois (SANTOS, 2010). Nessa
biblioteca, tínhamos uma coleção de aproximadamente
setecentos mil volumes, sendo que volume é entendido
como a frequência na qual é dividida uma mesma obra,
por exemplo, o caso da Ilíada de Homero que em seus
24 cantos ou livros acabava por formar um total de
24 volumes (MARTINS, 2002). A formação do acervo da
biblioteca foi realizada de várias formas e pela
contribuição de várias pessoas. Destaca-se o empenho
do filho do imperador fundador da Biblioteca de
Alexandria, Ptolomeu II Filadelfo, que se empenhou
em ampliar o acervo através da compra de rolos,
papiros ou mesmo bibliotecas inteiras, não se
intimidando frente a somas altas para adquiri-los.
O mesmo pode ser dito de seus sucessores (MARTINS,
2002), inclusive o caso de alguns como o governante
Ptolomeu III Evérgeta que, além de enviar cartas a
todos os soberanos da Antiguidade solicitando o
envio de obras dos mais variados tipos para que
integrassem a Biblioteca de Alexandria, passou a
ordenar que qualquer navio que fizesse escala no
porto da cidade tivesse seus originais copiados,
retirados e que fosse entregue aos proprietários uma
cópia, já que o original permaneceria na biblioteca,
além disso, era pago uma quantia específica, 15
talentos, o fundo originário passou a ser chamado de
‘fundo dos navios’ (CANFORA, 2001; SOUZA, 2005).
O fim da Biblioteca de Alexandria com o grande
ataque e incêndio de 642 d.C., ocorreu após quase
novecentos anos de atuação, promovido pelo Califa
Omar I (FLOWER, 2002). A destruição da Biblioteca de
Alexandria tem relação com os quatro grandes
incêndios, em que três eram intencionais e um foi
acidental (MARTINS, 2002), o primeiro incêndio, no
caso o acidental, ocorreu em 48 a.C., em que para
defender-se do exercito egípcio, Julio César,
incendiou os barcos do porto da cidade, o que
acarretou na destruição de alguns prédios, incluindo
a biblioteca do Templo Mouseion destruindo cerca de
40 mil rolos (MAROTO, 2009). O segundo incêndio
ocorreu em 272 d.C., no qual o Imperador Aureliano
devastou a região do Bruquíon na guerra contra a
Rainha de Palmira. No terceiro incêndio, ocorrido no
ano de 392 d.C., o Imperador Teodósio I colaborou
com Teófilo, patriarca de Alexandria, na destruição
da biblioteca, principalmente da menor, localizada
no Templo de Serápis e de outros tantos edifícios
pagãos. O último grande incêndio aconteceu em 642 d.
C., como já dito, foi obra do Califa Omar I que,
através de um cerco realizado pelo general árabe Amr
Ibn Al As, acabou por conquistar a cidade depois de
um cerco de quatorze meses, dando fim ao que tinha
sido a mais célebre e famosa biblioteca da
Antiguidade, pois ela já não existia mais, o que
havia restado não lembrava nem de perto a
grandiosidade de outros tempos (FLOWER, 2002;
MARTINS, 2002; SOUZA, 2005).
A segunda maior e mais importante biblioteca da
Antiguidade é a Biblioteca de Pérgamo. Fundada por
Átalo I e fortificada por seu filho Eumenes II,
Pérgamo tinha o desejo de ser um pólo cultural do
mundo antigo e principalmente da Ásia Menor (SANTOS,
2010), sendo que seu fim foi resultado do desejo do
general romano Marco Antonio em presentear sua
amante, a rainha Cleópatra, agregando o acervo dela
à Biblioteca de Alexandria, que tinha sofrido muitas
perdas devido ao incêndio acidental provocado pelo
general romano Julio César. Assim, Marco Antonio
saqueou a biblioteca e seus duzentos mil volumes e a
integrou ao acervo de Alexandria, no ano de 41 a.C.,
que no fim acabou destruído também.
As bibliotecas das cidades de Alexandria e Pérgamo
são as mais conhecidas da Antiguidade, mas não as
únicas, por isso, a importância de apresentar
algumas outras importantes bibliotecas desse período
histórico, destaca-se aqui o relato sobre as
instituições da Babilônia, Mesopotâmia, Síria, Gaza,
Grécia e Roma. Vale registrar, como importantes
bibliotecas desse período, as existentes nos
palácios e templos da Babilônia, como as de Ardevil,
Assur, Cesaréia, Koloch, Nippur, Susa e a principal,
que foi descoberta em 1845 por Henry Layard (SANTOS,
2010), a Biblioteca de Nínive. Ela pertencia ao
soberano Rei Assurbanipal II, que se empenhou em
transformá-la em um marco de sua época, dotando seu
acervo de todos os recursos necessários para ser
digno de ser considerado um marco cultural da
Antiguidade. Ela tinha um acervo constituído por
placas de argila, que eram cozidas e possuíam uma
escrita que remontam ao século IX a.C. (MARTINS,
2002), sendo considerada a primeira biblioteca
catalogada e indexada da história (SANTOS, 2010).
Referente à Biblioteca de Nínive, tivemos ainda, com
os trabalhos arqueológicos, grandes descobertas
sobre a questão dos arquivos, principalmente os
econômicos, políticos e sociais, que integravam seu
acervo (RICHTER; GARCIA; PENNA, 2004), visto que
nesse período inexistia uma separação clara entre o
arquivo e a biblioteca, inclusive isso só ocorreria
de maneira efetiva na Roma Antiga (FERNÁNDEZ ABAD,
2006).
A criação das primeiras bibliotecas na Mesopotâmia
ocorre posteriormente ao período Uruk IV,
correspondente ao ano de 3300 a.C.; no caso o Uruk
III, temos registros de bibliotecas em várias
cidades como Abu Salabik, Adab, Fará, Isin, Kis,
Lagas, Nippur e Ur (BÁEZ, 2006). Outras famosas
bibliotecas da Antiguidade são as de origem judaica,
presentes em todas as sinagogas desse período, elas
possuíam vários livros, incluindo os Sagrados dentro
dessa religião, uma grande biblioteca desse tipo era
a existente Gaza, atual Palestina (MARTINS, 2002).
Temos também a famosa Biblioteca de Ebla (ou Elba),
localizada na Síria, tendo sua fundação datada do
terceiro milênio a.C., uma instituição que possuía
um acervo organizado de quase quinze mil tábuas de
argila dispostas em estantes (ORTEGA, 2004). Essa
biblioteca foi localizada através de pesquisas
arqueológicas datadas do ano de 1975, pelo trabalho
do arqueólogo italiano Paolo Matthiae, durante as
escavações do palácio G de Ebla (BÁEZ, 2006).
As bibliotecas da Grécia, talvez por ser este o
berço de uma cultura enraizada muito fortemente na
oralidade, não existiam de maneira tão abundante
como em outras regiões da Antiguidade (MARTINS,
2002). A primeira biblioteca Grega que se tem
notícia foi fundada por Pisístrato, em Atenas, tendo
um caráter próximo do que hoje é compreendido como
uma biblioteca pública. Tinha a aspiração de reunir
obras de autores importantes daquele período e
contrastava com a maioria das bibliotecas gregas
desse período que eram particulares, como exemplo,
temos as de Aristóteles e Eurípedes (SANTOS, 2010).
Já as bibliotecas de Roma foram criadas com o
objetivo de “aumentar o próprio prestigio
estabelecendo bibliotecas que contrabalançassem a de
Alexandria” (MARTINS, 2002, p. 78) eram distintas
das gregas, constituindo dois grupos: as
particulares e as públicas, as do primeiro tipo eram
compostas principalmente por acervos provenientes de
saques de guerra, além da aquisição de materiais
através do trabalho de escravos cultos ou escribas
gregos. Não era incomum na casa dos mais abastados a
existência de bibliotecas particulares, citamos como
exemplo as de Cícero, Consentio e a da Vila dos
Papiros (BATTLES, 2003; SANTOS 2010); e as públicas
que tiveram sua concepção a partir das idéias do
imperador Julio César, um homem que gostava de
escrever suas conquistas e que desejava ter leitores
para apreciá-las. Com a sua morte, o orador Asínio
Pólio assume a realização desse projeto, instalando
no ano de 39 a.C., a primeira biblioteca pública no
Templo Romano da Liberdade, seguida da construção de
outras duas, no Templo de Apolo e no Templo da Paz,
obras dos Imperadores Augusto e Vespasiano, sendo
que a mais famosa obra de Roma foi a Ulpiana,
formada por Trajano. É importante lembrar que todas
foram destruídas quando o caos se instaurou no
Império Romano (SANTOS, 2010).
2.
As bibliotecas medievais: das instituições
monacais as novas tipologias
As bibliotecas medievais não se distanciam muito da
forma como são compreendidas na Antiguidade, já que
ambas apresentavam o interesse no armazenamento de
documentos e no impedimento da circulação dos
mesmos, além de ser espaços de poder e sua
existência agrega o status dos governantes das
regiões onde elas existiam (MORIGI; SOUTO, 2005). A
Idade Média é marcada como um período da história
onde o clero era responsável pela educação e isso
incluía o domínio das bibliotecas desse período.
Essa dominação é muito bem retratada no romance “O
Nome da Rosa”, do escritor italiano Umberto Eco, que
apresenta a biblioteca como um local de difícil
acesso e restrita a poucos privilegiados, marcada
por estruturas que impediam a aproximação dos
leitores aos recursos informacionais ali presentes,
que possuíam um formato de grandes labirintos e onde
os bibliotecários eram apresentados como pessoas
cultas e verdadeiros guardiões desses espaços
(BAPTISTA; BRANDT, 2006; CASTRO, 2006; SILVA, 2006).
O período medieval é marcado pela existência de três
tipologias básicas de bibliotecas: as monacais, as
universitárias e as particulares (MARTINS, 2002). As
primeiras são as principais desse período histórico.
Possuíam o grande destaque dentro dos conventos,
mosteiros e das mais variadas ordens religiosas,
destacando-se principalmente as Ordens dos
Agostinianos Recoletos, Beneditinos, Dominicanos e
Franciscanos. Eram cobertas por muitas regras
específicas, que estipulavam a necessidade e o valor
de se trabalhar nas bibliotecas e que implicavam uma
série de atividades, incluindo a de escriturários. É
preciso considerar o imperativo de atenção na
construção desses espaços dentro das moradias
religiosas, ou seja, a atenção dada ao impedimento
do empréstimo ou extravio dessas obras era enorme.
Além disso, existia uma atenção para deter o ataque
de pragas e o problema da umidade no acervo, por
essas razões, existia a construção de bibliotecas em
formato de labirinto, mas com ótima ventilação para
evitar problemas já citados. O entendimento de que
um mosteiro sem biblioteca era algo impossível de
existir organizava a vida de então.
Existiu, por parte de muitos chefes da Igreja
Católica, o desejo da destruição de obras
consideradas profanas, mas na mesma proporção
ocorria o desejo por sua preservação, assim muitas
obras entendidas como profanas foram destruídas, mas
tantas outras através do trabalho dos religiosos
copistas sobreviveram até os nossos tempos, por
isso, considera-se que “com maior ou menor interesse
profano, com maior ou menor penetração leiga, são os
mosteiros que salvam, para o mundo moderno, a
riqueza literária da Antiguidade” (MARTINS, 2002,
p.83). Cabe citar como algumas das bibliotecas
monacais mais celebres desse período as existentes
no Monte Atos na Turquia, Biblioteca de Cassiodoro
em Roma, as de Fleurysur-Loire, Cluny e Corbie na
França, a de Fulda, na Prússia, a de Saint-Gall na
Suíça, as de São João e São Paulo em Veneza e a mais
importante, a Biblioteca do Vaticano, fundada
oficialmente pelo Papa Nicolau V, no ano de 1450,
mas que é basicamente a criada pelo Papa Hilário na
basílica de São João de Latrão e que posteriormente,
quase dez séculos depois, acabaria por ser
transferida para a sede do governo vaticano.
Pouco se explana acerca das bibliotecas bizantinas,
mesmo elas possuindo uma importância gigantesca na
história humana, sendo que essas instituições
localizavam-se no Oriente, sendo igualmente mantidas
por religiosos cristãos ortodoxos (SANTOS, 2010). As
bibliotecas bizantinas permitiam um menor controle
da entrada de obras entendidas como profanas em seus
acervos, tendo fundamental importância na questão da
preservação desse tipo de obra, além de ter um
enfoque distinto das bibliotecas monacais católicas
fundamentadas nas estruturas de uma cultura e ensino
latinos, as bibliotecas bizantinas possuíam um
trabalho estruturado nos postulados da civilização
helênica. As celebres bibliotecas bizantinas foram
as do Claustro de Santa Catarina, junto ao Monte
Sinai e o Studium com sua famosa oficina de
escriturários (MARTINS, 2002). Voltando ao tema do
silêncio na biblioteca, ainda no período medieval,
temos a marcação definitiva do silêncio como um
ponto essencial para seu funcionamento. Tínhamos uma
limitação de sujeitos-leitores que podiam fazer uso
da instituição e acessar seu acervo, estamos falando
aqui dos monges das diferentes ordens religiosas
católicas que eram autorizados a ler os originais e
que atuavam de maneira intensa e permanente na cópia
dos livros para preservar a memória ali existente.
Nas bibliotecas da
fase final da Antiguidade e nas dos mosteiros do
inicio da Idade Média, em que os usuários liam em
voz alta, o som de cada leitor funcionava como
barreira fisiológica, ou seja, atrapalhava leitores
vizinhos. Quando os leitores começavam a ler
visualmente, o barulho tornou-se perturbador [...].
Humberto de Romans, no De instructionis officialium,
exigia que cada convento dominicano tivesse uma sala
de leitura comum na qual o silêncio fosse absoluto.
Em Oxford, o regulamento de 1431 reconhecia a
biblioteca como local de silêncio (SAENGER, 2002, p.
161).
O livro era entendido como um objeto sagrado, que
deveria ser tocado apenas por iniciados, capazes de
trabalhar com eles da maneira que entendiam ser a
correta; por isso, na Idade Média a quase totalidade
de leitores era formada por religiosos, já que “a
leitura constituía verdadeiramente o alimento
espiritual dos monges” (HAMESSE, 2002, p. 124).
O acesso a esses
acervos guardados nos mosteiros limitava-se aos que
pertenciam a ordens religiosas ou eram aceitas por
elas. Ler e escrever eram habilidades quase
exclusivas dos religiosos e não se destinavam a
leigos (MILANESI, 2002, p. 25).
O trabalho executado pelos monges no trabalho com o
livro era visto como algo sagrado e investia a
atividade leitora de um exercício religioso
profundo; para tal, havia uma ferrenha defesa do
silêncio, posto que entrar em uma biblioteca
equivaleria a adentrar em um ambiente sagrado, que
exigia o respeitoso ato de ficar calado para ser
obtido o contato com os deuses antigos ou o Deus
católico (MAROTO, 2009). As bibliotecas particulares
são entendidas aqui como as mantidas por senhores
abastados, incluindo aqui imperadores e reis, muitas
dessas bibliotecas possuíam mais de cem mil
exemplares, destacamos as pertencentes a sábios como
Fócio, Loup e a de Filagro, a do religioso Rurice, a
do governante Tonance Ferréol e a do grande
imperador francês Carlos V (MARTINS, 2002; SANTOS,
2010). Dentro desse período histórico medieval,
temos o surgimento das universidades e
consequentemente às bibliotecas dessas instituições.
As primeiras universidades são prolongamentos das
ordens religiosas católicas, tendo o inicio de seus
acervos com grandes doações. É possível citar como
grandes bibliotecas desse período as das
Universidades de Cambridge, Orleans, Oxford e
Sorbonne (MARTINS, 2002).
Permanece no desenvolvimento das bibliotecas, temos
a marcação de uma instituição com uma entrada
vigiada e que exige observação constante por parte
de seus responsáveis, um espaço que é sempre montado
em um local de difícil acesso, tudo para evitar que
pessoas não autorizadas acessam seu acervo. As
características religiosas, questão do controle e
silêncio permanecem enraizadas nas construções das
primeiras universidades européias e,
consequentemente, em suas bibliotecas onde livros
eram literalmente acorrentados às estantes para
impedir que se roubassem obras, desorganizassem o
espaço e se tivesse controle do que seria lido,
evitando deteriorar qualquer obra do acervo, aqui
[...] os livros, de
acordo com o seu valor – copiados a mão e ricamente
ornamentados – ficavam presos por correntes às
estantes, mas de maneira que pudessem ser levados às
mesas de leitura. Essas bibliotecas carregavam,
fortemente, a atmosfera religiosa em sua arquitetura
e nas ações de seus freqüentadores [...] não se
entrava no recinto da leitura sem que os leitores
usassem a beca (MILANESI, 2002, p. 25).
O livro era (e ainda é) um objeto caro, com acesso
restrito e pouco disponível a grande parte de uma
população que, na época, era analfabeta; nos dias
atuais, guardadas as devidas restrições, temos ainda
o livro como um objeto de luxo, pouco acessível à
maioria da população, já que 66% dos livros estão
nas mãos de 20% da população (INSTITUTO PRÓ-LIVRO,
2007), distante da realidade de uma grande parcela
da população, assim como as bibliotecas também
estão, ambos são elitizados e encontram-se fora da
vida e do processo de aprendizado, ensino e formação
permanente dos brasileiros (ZILBERMAN, 2003).
3.
Bibliotecas modernas: o advento das
bibliotecas públicas
O século XVI é apontado como o início da existência
das bibliotecas modernas, elas apresentam quatro
características fundamentais que se integram:
laicização, democratização, especialização e a
socialização. A biblioteca passa cada dia mais a
responder novas necessidades e questões, tendo uma
concepção voltada para uma constante democratização.
A concepção de um depósito ou espaço onde a
passividade impera não cabe mais dentro das
proposições das comunidades e leitores modernos,
penetrando em ambientes antes inimagináveis, tais
como o assentamento rural, a favela ou a região em
que moram os trabalhadores operários (MARTINS,
2002).
Diante da época moderna temos uma fragmentação
acerca dos tipos de biblioteca, decorrente de um
processo contínuo de especialização, destacando
ainda o vertiginoso aumento da produção intelectual
em todo o mundo, logo após tomar nota da
impossibilidade de atender aos mais variados
públicos que cada vez mais recorriam a essas
instituições (MARTINS, 2002).
Organismo antes
reservado a uns poucos, que deviam procurá-la e
solicitar-lhe os favores, a biblioteca moderna não
apenas abriu largamente as portas, mas ainda sai à
procura de leitores; não apenas quer servir ao
individuo isolado, proporcionando-lhe a leitura, o
instrumento, a informação de que necessita, mas
ainda deseja satisfazer às necessidades do grupo,
assumindo voluntariamente o papel de um órgão
sobrecarregado, dinâmico e multiforme da
coletividade. (MARTINS, 2002).
Nesse processo de fragmentação, temos as bibliotecas
públicas, instituições que apresentam uma complexa
delimitação conceitual e institucional, mas podemos
compreende-la como uma instituição que possui um
caráter social, sendo financiada e seguindo
regulamentações estatais, facilitando o acesso da
população a informação em seus mais variados
suportes, permitindo a construção de uma sociedade
mais justa e melhor para quem a utiliza (JARAMILLO;
MONTOYA RÍOS, 2000). Como dito, a existência dessa
complexidade delimitadora de limites acerca dessas
bibliotecas nos apresenta problemáticas que
interferem na elaboração de uma conceitualização
clara acerca dessas instituições, mas o que se pode
observar é o uso de pontos que são comuns nessa
tentativa de fornecer um norte acerca dessa
instituição, temos assim três pontos importantes: a
questão do livre acesso, fornecimento de serviços
gratuitos e uma variedade de suportes informacionais
integrando o acervo (URIBE TIRADO, 2007).
A questão das funções da biblioteca pública também
tem uma seqüência de discussões em vários encontros
e apresentada nas mais variadas publicações da área
da Ciência da Informação e de órgãos internacionais,
tais como a UNESCO e seu famoso Manifesto das
Bibliotecas Públicas, assim, essa instituição é
apresentada com as seguintes funções: assegurar o
acesso à informação nos mais variados suportes
informacionais e a todos os sujeitos que a
solicitem; subsidiar ações e informações que
permitam uma melhor (e real) participação dos
sujeitos leitores nas suas ações; permitir uma
ampliação dos acessos a suportes de leitura variados
e as novas tecnologias; contribuir para a formação
continuada dos sujeitos-leitores; contribuir para o
fortalecimento da economia das comunidades que
atende, principalmente da indústria editorial; e
servir como um centro difusor de informações para a
comunidade (URIBE TIRADO, 2007).
A biblioteca pública ganhou força no século XIX,
principalmente pelos ideais democráticos, tendo
grande destaque em países da Europa e nos Estados
Unidos. De acordo com Arruda (2000), a biblioteca
pública é datada como tendo sua origem em 1850 na
Inglaterra, motivada por questões como a Revolução
Francesa, Industrial e Liberal, essas três
revoluções tem papéis importantes na criação das
bibliotecas públicas, cabe ressaltar o auxilio de
magnatas na manutenção e subsidiamento dessas
instituições em seu inicio, sendo grandes
mantenedores das mesmas, que também tinha sua
concessão através de lutas sociais na busca de
melhorias da qualidade educacional dos bairros
pobres de países que vinham se consolidando como
expoentes econômicos dos tempos modernos, apenas
após muitas pressões dos trabalhadores é que no
inicio do século XX alguns governos de alguns países
como os Estados Unidos iniciam o repasse de verbas
que subsidiam a existência dessas instituições
(LEMOS, 2005).
Cabe ainda um destaque quando se discute a Revolução
Francesa e as bibliotecas públicas: circulou um
sentido entre os revolucionários que as bibliotecas
particulares confiscadas eram parte do grupo burguês
recém ‘derrotado’, dessa forma, os livros
pertencentes a elas acabaram em depósitos, sujeitos
a toda sorte de pragas e problemas (MANGUEL, 2001).
O destino desses acervos foi de dois tipos: a venda
para bibliófilos franceses e principalmente
estrangeiros, com destaque para os ingleses; e o que
não foi vendido acabou constituindo bibliotecas, mas
que não foram entendidas como públicas, que foram
pouco representativas, por isso essas bibliotecas
francesas Pós-Revolução Francesa não são entendidas
como as primeiras bibliotecas públicas, mas sim as
dos países anglo-saxônicos, pois diferentemente das
francesas essas eram constituídas de acordo com os
interesses e desejos dos cidadãos desses países e
não com sobras de acervos provenientes de uma
condição sócio-histórica totalmente distinta daquela
vivida, aqui as bibliotecas púbicas passam a se
preocupar com essa questão: pensar o que aquela
comunidade deseja, devendo atuar inclusive no
fornecimento de informações que interessem aqueles
sujeitos, por exemplo, sobre pontos turísticos,
empregos, tarifas, enfim toda a informação entendida
como utilitária pelo público, além da que possa
oferecer condições para a ocorrência de discussões,
participações diversas, isso com informações nos
mais diversos suportes, não deixando de ser
oferecida de forma confiável e rápida (ARRUDA, 2000;
ZAHER, 2001), em países desenvolvidos, tais como
Dinamarca, Estados Unidos, Inglaterra e Suécia a
questão do fornecimento da comunidade com as
informações desejadas através de centros
informacionais presentes nessas bibliotecas já se
tornou uma prática comum, exigida e que contribui de
maneira significativa para a vida dos sujeitos
desses países, principalmente as minorias, como os
imigrantes ou os nativos que passam por
dificuldades, por exemplo, busca por vagas no
mercado de trabalho, eles obtém nas bibliotecas
públicas apoio para superar adversidades e obter
oportunidades de melhorias sociais (SUAIDEN, 1995).
A biblioteca pública tem um caráter social e com
base em uma regulação estatal, que permita o acesso
aos mais diferentes suportes de informação, buscando
sempre satisfazer as necessidades do público que
pretende atender, adquirindo e separando materiais
que tenham esse perfil, atuando sempre em um caminho
de ajuda ao que os sujeitos-leitores necessitam,
auxiliando na melhoria de vida dos mesmos (JARAMILLO;
MONTOYA RÍOS, 2000). Atualmente quando analisamos as
bibliotecas públicas fica evidente uma disparidade
entre as instituições existentes em nações
desenvolvidas e nas subdesenvolvidas, onde o Brasil
se encaixa. Observa-se que nos países desenvolvidos
temos uma biblioteca que possui identificações e
laços fortes com a comunidade na qual atua,
realizando atividades e fornecendo subsídios
informacionais para que aqueles sujeitos leitores
consigam debater e refletir questões de real
interesse dos membros daquela comunidade; enquanto
nos países subdesenvolvidos as relações são
diferentes, a começar pela pouca proximidade das
comunidades com essas instituições, não existe uma
identificação com aquele espaço, já que ele
efetivamente não representa aqueles sujeitos
leitores, aquele coletivo (SUAIDEN, 1995),
realizando quase nenhuma ação de consulta do que é
interessante que elas disponibilizem, contando com
acervos desatualizados, pouco atraentes e muito
longe de constituírem reais unidades de informação
que nações em processo de desenvolvimento merecem e
precisam.
Existe um constante processo de reflexão na Ciência
da Informação acerca da situação de paradoxo que
ocorre em nosso país quando se discute as
bibliotecas públicas, retomando a postulação de um
espaço com pouca identificação com os
sujeitos-leitores brasileiros, decorrente de um
processo histórico continuo que marca o os
brasileiros como pouco afeitos a gostar de ler, onde
a biblioteca pública contribuiu de maneira
significativa para a pouca aproximação de leitores,
temos no Brasil ainda um leitor em processo de
formação e aproximação com ela, que no país enfrenta
uma série de dificuldades para aproximar-se dela,
incluindo a ausência de bibliotecas de todo tipo
(LAJOLO; ZILBERMAN, 2003; INSTITUTO PRÓ-LIVRO,
2007).
Além disso, existe um agravo para a pouca
diversidade dos acervos das poucas bibliotecas
públicas existentes: seu desempenho como grandes
bibliotecas escolares, já que as mesmas inexistem na
maioria das escolas brasileiras, principalmente as
públicas, o que impede uma ação efetiva das
instituições públicas como centro de informação de
uma comunidade (SILVA, 2004; SOARES, 2004), já que
acaba na maior parte das vezes servindo apenas a um
tipo de público: os sujeitos estudantes interessados
em realizar suas pesquisas escolares e que não
encontram condições em suas escolas, já que as
bibliotecas escolares inexistem ou são inadequadas,
por isso “o destino da maioria dos alunos que, sem
contar com bibliotecas nas escolas em que estudam,
procuram-na para realizar as famosas ‘pesquisas’
escolares” (SILVA, 2003, p. 48-49). O resultado
disso é que a biblioteca pública tem seu foco
desviado (e forçado) cada vez mais a ser
escolarizada por imposição das circunstâncias,
contando com uma pequena parte de sua coleção que
satisfaça ao público que deveria atender, mas a
maior parte de seu acervo acaba atendendo aos
estudantes que realizam pesquisas, calcula-se que a
porcentagem de sujeitos-leitores das bibliotecas
públicas, na sua maioria, em torno de 80% a 90%,
seja composta por estudantes (ALMEIDA JÚNIOR, 2006).
Isso resulta no funcionamento precário dessas duas
bibliotecas que tradicionalmente tem objetivos
totalmente opostos.
Vale destacar que isso ocorre, pois inexiste uma
política cultural efetiva por parte dos governos com
essas instituições (SILVA, 2004); marcamos que isso
resultou em uma transformação, no caso, “o que seria
público transformou-se em escolar” (MILANESI, 2002,
p. 46).
O número de livros lidos no país é de 4,7 por ano,
sendo que 3,4 é realizado durante o período escolar
enquanto apenas 1,3 é realizado fora das escolas.
Temos realidades distintas no país: Na Região Norte
a média é de 3,9, sendo que 3,7 são realizados na
escola, enquanto 0,2 são feitos fora da escola; no
Nordeste 4,2 é a média, sendo que 3,6 nas escolas e
0,6 fora delas; 4,9 é a média do Sudeste, sendo que
3,0 é na escola e 1,9 fora dela; no Sul a leitura
média é de 5,5, enquanto 3,7 é na escola e 1,8fora
dela; a região Centro-Oeste é de 4,5 livros,
enquanto 3,4 na escola e 1,1 fora dela (INSTITUTO
PRÓ-LIVRO, 2007).
Essa ausência da biblioteca pública contribuiu ainda
com uma questão muito significativa dentro da
cultura brasileira: o uso primordial dos meios de
comunicação de massa, com destaque para o rádio e
televisão como fonte de informação (MILANESI, 2002),
isso se dá devido à necessidade de obter
informações, a ausência de políticas públicas que
fomentassem a adequação, crescimento e instalação de
bibliotecas públicas nas cidades do país, além de a
biblioteca existente contar com a falta de preparo
dos profissionais em atender o grande numero de
analfabetos do país, assim, “a informação dos
livros, tornou-se uma obrigação aborrecida, a
informação da mídia buscava o prazer para garantir a
audiência” (MILANESI, 2002, p. 46).
Atesta-se essa importância do rádio e da televisão
na realidade do brasileiro, quando se observa dados
obtidos através do Instituto Pró-Livro (2007) que em
pesquisa realizada com 172,7 milhões de pessoas no
país (o que correspondia a 92% da população),
revelou que a televisão e o rádio, respectivamente
77% e 39% são as opções principais de lazer,
enquanto a leitura tem apenas 35% da preferência, a
disparidade é grande. A pesquisa mostra que apenas
10% (17,8 milhões) dos entrevistados usam com
frequência alguma biblioteca, 17% (28,9 milhões)
usam ocasionalmente alguma biblioteca e a
impressionante marca de 73% (126 milhões) dos
brasileiros não usam bibliotecas, essa marca
assusta, mas permite compreender melhor que ainda
temos um caminho grande na busca não sermos um país
de leitores (INSTITUTO PRÓ-LIVRO, 2008).
Existe um número elevado de analfabetos no nosso
país, cerca de 35 milhões de pessoas, a maioria dos
não leitores é proveniente das classes mais pobres (RENESTO,
2009). Essa situação complica-se com a ausência de
espaços efetivos de leitura, torna-se impraticável
com a estrutura vigente, em que inexistem
bibliotecas escolares nas escolas e, quando existem,
repetem práticas domesticadoras que impedem os
movimentos de deslocamento dos sujeitos, o diálogo
entre eles e com os livros; tudo isso tem efeitos na
forma de os discursos circularem e de os sujeitos
constituírem. A ausência de bibliotecas escolares
impede a formação de sujeitos-leitores, quando saem
da escola ao invés de continuarem a buscar a leitura
e efetivarem-se como leitores, acaba por afastá-los,
criando neles uma ojeriza da leitura, resultando num
desejo dos adultos de se livrar dos livros e do
sentido de enfado que eles causam. Assim, a escola
(incluindo aqui a importância da ausência das
bibliotecas escolares) acaba não cumprindo a tarefa
de ‘seduzir’ os sujeitos para a leitura, pós-muros
das escolas e término do ensino médio básico (ZILBERMAN,
2003; INSTITUTO PRÓ-LIVRO,
2008). Esse sujeito também é incapaz de realizar
pesquisas de maneira independente, pois a ausência
das bibliotecas escolares não apenas impede o
funcionamento de uma unidade pública, ele também
mina a formação de leitores e sujeitos independentes
informacionalmente falando, que acabam ignorando a
os efeitos de leitura em suas atividades cotidianas
e a relação disso tudo com o político.
O que ocorre é que a maioria dos sujeitos-leitores
brasileiros usam as bibliotecas públicas na época
das atividades escolares, já que na maioria das
vezes não existem bibliotecas escolares e livros nas
casas da maioria desses estudantes é restrita, sendo
que o número de vezes que esses sujeitos buscam a
biblioteca após período de escolarização é muito
reduzido, já que ela não possui materiais que
satisfaçam seus desejos e interesses, além de muitas
vezes inexistir o interesse que não foi fomentado no
período escolar devido a inexistência de políticas e
um estrutura que permitam esse incentivo e
satisfação por parte desses sujeitos (RENESTO,
2009). Problematizar a biblioteca pública não é algo
simples, a escolar então é questão mais tensa, pois
toca os modos como os saberes e as posições de poder
são assimétricos escola, como a leitura, pelo efeito
ideológico de evidência, é trabalhada de modo a
silenciar o sujeito e seus movimentos de inscrição
de sentidos.
4.
Considerações Finais
A reflexão da história das bibliotecas é algo
importante, assim, realizar uma compilação que
aborde tão temática, com base em documentos
científicos produzidos por outros autores é algo que
pode contribuir para estudos de diferentes áreas do
conhecimento, como a Biblioteconomia e a Ciência da
Informação. Estudos históricos são importantes para
uma infinidade de estudos, como para os
pesquisadores que refletem a questão da produção
discursiva e necessitam de bases que permitam pensar
as condições de produção dos discursos, a forma como
são afetados pelas questões sócio-históricas, e que
afetam os sujeitos no momento de enunciarem acerca
de uma instituição como as bibliotecas, um espaço
que historicamente, foi continuamente censurado,
silenciado e possível de ser acessado por poucos
privilegiados. Atualmente, existem questionamentos
acerca da maneira como essas bibliotecas atuam, já
que se pretende a popularização dessa instituição
que em tantos momentos foi reservada a poucos
privilegiados de grupos restritos (religioso,
financeiro, social, etc.) e que hoje pretende uma
maior popularização e identificação com outros
sujeitos que outrora tiveram seu direito de acesso
relegado.
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